As duas gigantes recriam a magia
13/04/2006 - por Gabriel Morato
"Tetsuya Nomura provou seu talento ao tomar as rédeas do design de personagem da série Final Fantasy do veterano Yoshitaka Amano, provando seu valor na empresa. Mas ele foi além em Kingdom Hearts, um RPG de ação que trazia diversos personagens Disney para o PlayStation 2. O game acabou tendo alguns problemas de execução, mas o visual e a excelente mistura desses mundos mágicos garantiu o sucesso do produto – assim como uma continuação para Game Boy Advance. Agora a série continua com um segundo episódio que corrige quase todas as falhas do original.
Logo de cara o jogo já quebra com os dois títulos anteriores apresentando um personagem inédito em um longo tutorial de cerca de três horas, que também faz um breve resumo de tudo que aconteceu até agora na série. Essa longa introdução já deixa claro que muitos dos problemas que irritaram fãs do original desapareceram: é possível controlar a câmera com o analógico direito, o game diz exatamente para onde você deve ir sempre e as batalhas não são tão frustrantes.
O resultado é um jogo muito mais palatável e acessível virtualmente para jogadores de todas as idades e graus de habilidade... mas não necessariamente desafiador. O novo sistema de combo (que vai adicionando séries de golpes mais longas à medida em que o herói ganha experiência) rapidamente faz com que apenas apertar o botão X repetidamente seja o suficiente para matar as hordas de inimigos. Mesmo a maioria dos chefes pode ser derrotada apenas descobrindo como escapar de alguns de seus ataques.
Kingdom Hearts II tenta compensar isso com novos sistemas como Drive, Limit e ataques especiais acionáveis apenas em ocasiões especiais apertando o botão Triângulo (uma espécie de versão light dos eventos especiais vistos em Resident Evil 4). Mas enquanto os dois primeiros somente abaixam ainda mais a dificuldade do game, o terceiro é tão fácil que só adiciona pelas belas animações associadas a esse tipo de ataque. Não se assuste se você conseguir fechar o game na dificuldade normal raramente tocando nas magias e nunca usando as invocações “summon”.
Mas se o desafio ficou faltando, o game mais do que compensa em valor de produção. Virtualmente todos os mundos de Kingdom Hearts estão de volta (com pequenas exceções), e cada um deles está mais lindo do que nunca. O cuidado é tão grande que cada um deles tem múltiplos estilos próprios de menu para a interface! Esse primor de produção pode ser encontrado por toda a aventura, desde o detalhamento de cada sala e sua decoração até a soberba recriação animada dos muitos mundos Disney.
E o game não economiza no serviço aos fãs. Não é difícil imaginar que o diretor de Kingdom Hearts II é um artista, emprestando algumas das obras visuais mais conceituadas da Disney como “O Estranho Mundo de Jack” e “Tron” – tudo recheado de referências que vão trazer enormes sorrisos aos que acompanham a Disney com muito carinho. Espere só para ver quem é o mentor de Mickey e quem fará a nova fantasia do herói...
Só que nem só de gráficos se faz um jogo, e apesar da excelente apresentação vista aqui, o enredo acaba roubando o show. Talvez o único elemento não tão voltado para o público infantil, a história traz algumas sérias questões existenciais e faz um maravilhoso trabalho de expor seus fantásticos e interessantes personagens. Mesmo quem ficar desanimado com a falta de dificuldade no jogo dificilmente resistirá ao canto de sereia da trama, que fará você virar as cerca de 30 horas para chegar até seu final.
Kingdom Hearts II é, em todos os sentidos, uma obra-prima. Mesmo quem busca uma aventura desafiadora será encantando pelo seu charme... contanto que, como o protagonista, tenha pelo menos um pingo de inocência infantil e esperança no coração."
E para quem quiser imagens:
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